segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vou me jogar


Esqueço o medo,
Hoje me jogo,
Me entrego,
Os telhados de lógicas estúpidas,
E as minhas regras,
Se perderão no calor do teu corpo,
E o teu sussurro no meu ouvido será minha felicidade,
E vejo o teu sorriso,
Pedaço de eternidade gravada na minha memória.
Vem.
Adestra esse monstro que está habitando em mim.

Minha Luta




A minha luta é para dizer que não te amo mais.
Meu esforço é para dizer que não te quero

Tento me curar
Quero te tirar de mim
Assim como dizes que me tiraste de ti

Não quero mais
Embora o teu beijo
Seja o melhor

Não quero mais que o teu corpo
Se encaixe perfeitamente ao meu

Quero esquecer
O teu perfume, teu gosto
A tua voz; a tua pele, o teu abraço
O teu toque; a tua presença
O teu olhar; o teu sorriso

Não quero mais ser teu

Te amei com pureza e verdade
Esqueci os medos, joguei fora as culpas,
E te amei com todas as minhas forças
Te Amei por inteiro.

Te amar me deu vida
Me trouxe paz

Te amava de uma forma que jurei ser eterno
Pois era teu meu coração
Amava intensamente, amava com emoção.
E me alucinava...

Eu te amei. Chorei por você
Cada gota que caia dos meus olhos
Era por amor a ti

Tu eras o meu destino
Meu presente e meu futuro
Me fazia viver mais e mais...
Agora chega! Não quero mais te amar.

Tuas palavras frias e insensíveis me perfuraram como espinhos,
Luto para que não vivas mais em mim

Todo meu amor, eu te dei
Você desdenhou, pisou, machucou com palavras,
Você me fez chorar e fingiu não ver a minha dor


Siga.


Vá! Deixa-me em paz

Um novo amor há de chegar.






Cresci ouvindo que um dia eu teria que levantar vôo, e voar pelo mundo em busca da minha felicidade. Esperei ansiosamente durante minha infância e adolescência pelo dia em que isso aconteceria. Parava, me concentrava e me via como um super-herói desses de quadrinhos. Com grandes poderes e muito potente.


Ia crescendo e cada vez mais ansioso pelo dia em que eu voaria. Nesse vôo, sonhei em ter filhos, casar, sonhos comuns a todos os garotos.


Mas um belo dia, olhei-me no espelho. Olhei-me de frente, de costas, de perfil, de todas as formas possíveis, buscando um verdadeiro sentido para começar a traçar meu plano de vôo. Mas naquele momento, vi que algo estava errado. Uma grande surpresa apoderou-se de mim. Meus sentimentos já não mais eram iguais aos que meus amigos sentiam. Meus desejos passaram a ser outros. Meus anseios eram diferentes. Naquele instante vi que minha realidade também era outra. E isso me assustou mais ainda. Tudo era muito confuso, estranho, novo e complicado, e o pior: eu estava sozinho.


Momentos difíceis passei e muito delicados. Não fugi do espelho e, num outro dia resolvi encará-lo novamente. Naquele momento depois de passar por uma pedra de amolar, vi que não estava desgastado, mas afiado, e encontrei ali o Lameck que um dia sonhei que existia.


Percebi que por mais que eu viesse a fraquejar em alguns momentos, poderia sim existir um herói dentro de mim, bastava eu ter a coragem de encarar o mundo de frente e dizer: “estou aqui”.


O tempo passou e aquele momento que um dia tanto busquei chegou. É a hora de alçar vôo.


Tudo foi muito difícil, mas sabia que todos aqueles acontecimentos era uma alavanca que impulsionaria o meu vôo.


Imaturo, inexperiente, cheio de dúvidas e medos, sem saber ao certo para onde ir, eu voei. Sai em busca do caminho da tal felicidade. Na minha visão romântica, achei que o mundo era cor de rosa como via em filmes e novelas. Todavia percebi que voar não era tão fácil. Desistir? Pousar e voltar? Não. Resolvi seguir em frente.


Voando, enfrentei gaviões, caçadores e todo tipo de perigo que nunca havia imaginado encontrar, ou até mesmo nem sabia que existia. Com coragem e usando aquela capa heróica que a vida nos dá cheguei a um determinado lugar. No caminho havia encontrado a companhia para o vôo ser mais tranqüilo. Então resolvemos criar o nosso ninho. Em um local alto e acima de todos os perigos nos instalamos, botamos ovos que representavam o amor, a felicidade, a confiança, o respeito, a alegria e todos os sentimentos que iluminavam aquele momento.


Acreditei que o ninho no alto de uma árvore iria me deixar longe dos perigos da vida. Mas aí descobri que serpentes escalam árvores e que gaviões sabem pousar.


Mais uma vez enfrentei de frente os perigos e quando achei ter vencido percebi que lobo se veste ovelha e que o patinho lindo nem sempre é o protagonista de uma história. Me desiludi, sofri, desacreditei. Vi meus sonhos irem ao chão. Tudo o que sonhei estava escorrendo por entre meus dedos como areia. Meus sonhos não eram exatamente como imaginara. E vi o mundo ruir e a minha companhia ser levada para longe de mim. Um lugar que por mais que eu voasse, não conseguiria alcançar.


Naquele momento, me entreguei. Fiquei exposto aos raios de sol, e minhas asas foram perdendo forças. Prestes a me entregar totalmente, levantei-me e percebi que era hora de levantar vôo novamente e abandonar aquela vida cheia de dores, de perigos e incertezas. Um a um fui quebrando os ovos e a cada ovo quebrado era uma facada no coração. Estava afogando meus sentimentos no fundo da alma para evitar mais sofrimentos. Então novamente eu parti.


Não quis mais voar. Resolvi caminhar acreditando que seria mais seguro e menos doloroso caso houvesse uma segunda queda. Escolhi o caminho e segui rumo ao horizonte, triste por ter perdido minha companhia, por ter que abandonar tudo, mas esperançoso que o melhor de Deus estava por vir.


Caminhei dia e noite. Os mesmos perigos encontrei. Mas já talhado pela vida, sabia como dominá-los. Então, me deparei com novos acontecimentos. Encontrei com pedras que como mágica apareciam no meu caminho e dificultavam a minha chegada em algum lugar. Sentei e, chorando perguntei a Deus: Por quê?


Levantei a cabeça e à minha frente alguém dizia: “levante estou aqui, vamos seguir juntos”.


Naquele momento um sorriso brotou em meus lábios e voltei a acreditar novamente no amor, nas pessoas.


Muitas dificuldades enfrentamos e juntos superamos os obstáculos da vida, construímos uma base e os ovos que antes eu havia quebrado foram substituídos por aço, acreditando que seriam mais resistentes. Porém, quando tudo parecia bem, quando já me enxergava como aquele super – herói que tanto sonhei, descobri que o aço também é frágil e que em meio ao fogo ele derrete e depois da chuva volta a endurecer em outro formato.


Vi minha vida e meus sonhos desabar diante dos meus olhos, minha história passou de conto para sonho. Descobri que todos aqueles desejos que um dia havia sonhado realmente eram sonhos.


Descobri que o caminho não importa, pois as dificuldades sempre vão existir. Hoje estou aqui, na dúvida. Recomeço ou desisto para sempre? A resposta pode estar diante dos meus olhos. Mas o medo e outros sentimentos talvez tapem a minha visão.


Antes de tudo, o que preciso saber é o porquê a cada conquista uma nova derrota? Porquê o recomeço é sempre meu ponto de partida? E o porque tenho que viver sempre em busca dessa tal felicidade? Porque no final tenho sempre que quebrar os ovos? Porque momentos felizes duram menos que os perigos? E o porquê ainda insisto em amar?

De volta aos devaneios



Depois de um tempo sem nada postar neste espaço, resolvi voltar.

Graças ao incentivo da minha amiga Milena Palha.

Gosto desse espaço, pois abro o meu coração e me mostro. Abro a minha vida, que é um livro.

Mas aberto no capítulo que achar que os outros podem ler.







segunda-feira, 5 de maio de 2008

UM MENINO PASSARINHO


Não serei de mais ninguém
Serei livre
Como um pássaro que voa alto.
Depois de muito voar
Aterrissarei aqui em baixo
Onde serei tranqüilo
Não terei compromissos nem horários
Serei um pierrô sem fantasia
Vou olhar a todos sem tristeza
Só quero ser feliz
Sem tropeços
Sem embaraços
Sem cobranças
Vou descansar num dia
E extrapolar no outro
E ter orgasmos com a lua
Poetar no universo
Falar palavras de amor
No primeiro ouvido que encontrar
Viajar às galáxias
Amar nas estrelas
Apreciando o céu azul
Quero ser um menino ingênuo
Sem mágoas, nem rancor
Sem mentiras, nem ódio
Quero ser de alguém
Mas que esse alguém não me tome como propriedade sua
Quero um colo para dormir
Sonhar no paraíso

Ser um menino passarinho

RONDA


Rondo a noite
Passando de bar em bar
Vejo caras libidinosas
Vontades reprimidas na vertigem voraz do cotidiano
Prontas a explodir num grito de luxúria e prazer.

Corpos esvoaçando no ventre do desejo
Movimentos que hipnotizam
Respirando calor e carne em convulsão.

Paro num canto isolado.
Observo.
Copo numa mão adormecendo a razão,
Cigarro na outra,
Como se fosse uma tocha que me ilumina na noite.

Sigo em frente!
Entro no vazio de minha alma,
A minha volta, os risos abafados na multidão,
Devolvem-me ainda mais à minha solidão.

CONFUSÃO


Olho em volta e tento encontrar
O que se foi de mim.
Nada mais me faz sorrir.
O que está em mim
Encontro ao olhar para você.
Te olho e dá vontade de sorrir
Mas não tenho o que sempre quis
Me sinto só
Me lembro de você
Que encontrei num dia de busca do meu melhor
Estávamos perdidos
Nos encontramos
E nos perdemos novamente
Mas um dia nos reencontraremos
O sol, a lua e as estrelas serão testemunhas
De tudo o que a vida nos propôs
Como entender?
Quem está preparado para viver?
Só quem for forte e tiver alguém para se segurar,
Limpar o pó e continuar...
Na busca pela felicidade nada é explicável
Sempre existe os por quês
Nada jamais será entendido
Se nunca for vivido.

O FIM


Estou lutando para apagar tudo
Esquecer os momentos que tivemos juntos
As risadas dadas do nada
As vezes em que ficamos no telefone
Sem nada falar
Somente ouvindo a respiração um do outro
Quero esquecer as brigas que tivemos
E que sempre terminavam em gargalhadas
Preciso apagar o som da sua voz serena
Que me trazia paz
Não quero lembrar do gosto
Dos seus lábios, não dos seus cabelos
De perfume inesquecível
Quero deletar o seu olhar que passava confiança e esperança
Preciso esquecer da sua existência
Da sua passagem na minha vida
Mas as forças me faltam
Quanto mais eu tento esquecer
Mais a sua lembrança se fortalece
Quanto mais eu tento apagar
Mais sonho com você acordado
Nas noites que não acabam
Que ficam cada vez mais longas
Frias e escuras.
Tenho que viver
Erguer a cabeça
Por mais que não tenha você ao meu lado.

O SILÊNCIO


O coração engole as palavras a conta-gotas
Ingerindo desordenados sentimentos
Mistura-se a dor, a insegurança
À insegurança, o espelho
Ao espelho, sonhos envelopados.


O nada em ebulição
Escritas em tinta branca
Indagações cobertas por creme cicratizante
Numa cura superficial.


Nem mesmo a arte de plasmar
Tem o condão de desarraigar
A marca dos grilhões do medo
Das fugas, das noites insones
Da lâmina afiada na bainha das próprias palavras.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Ícaro


Quem dera eu ser um pássaro voando

Perdendo suas penas ao vento

Meus sonhos iriam
Em revoadas...

Por eles, daria asas ao tempo...

E ficaria esperando que voltassem

Cantando, trazendo lá de cima

A paz e o encanto que tanto procuro

O que ficou quando tudo calou

  A água da piscina estava morna, parada como um espelho que não mente. A taça estava em minhas mãos e eu olhava pra ela. Não era luxo nem...