segunda-feira, 5 de maio de 2008

O FIM


Estou lutando para apagar tudo
Esquecer os momentos que tivemos juntos
As risadas dadas do nada
As vezes em que ficamos no telefone
Sem nada falar
Somente ouvindo a respiração um do outro
Quero esquecer as brigas que tivemos
E que sempre terminavam em gargalhadas
Preciso apagar o som da sua voz serena
Que me trazia paz
Não quero lembrar do gosto
Dos seus lábios, não dos seus cabelos
De perfume inesquecível
Quero deletar o seu olhar que passava confiança e esperança
Preciso esquecer da sua existência
Da sua passagem na minha vida
Mas as forças me faltam
Quanto mais eu tento esquecer
Mais a sua lembrança se fortalece
Quanto mais eu tento apagar
Mais sonho com você acordado
Nas noites que não acabam
Que ficam cada vez mais longas
Frias e escuras.
Tenho que viver
Erguer a cabeça
Por mais que não tenha você ao meu lado.

O SILÊNCIO


O coração engole as palavras a conta-gotas
Ingerindo desordenados sentimentos
Mistura-se a dor, a insegurança
À insegurança, o espelho
Ao espelho, sonhos envelopados.


O nada em ebulição
Escritas em tinta branca
Indagações cobertas por creme cicratizante
Numa cura superficial.


Nem mesmo a arte de plasmar
Tem o condão de desarraigar
A marca dos grilhões do medo
Das fugas, das noites insones
Da lâmina afiada na bainha das próprias palavras.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Ícaro


Quem dera eu ser um pássaro voando

Perdendo suas penas ao vento

Meus sonhos iriam
Em revoadas...

Por eles, daria asas ao tempo...

E ficaria esperando que voltassem

Cantando, trazendo lá de cima

A paz e o encanto que tanto procuro

Perdido


A simples lembrança do teu toque

Na minha pele arrepia-me.

O teu cheiro domina a minha alma

O meu peito dispara.

Me abraça, vem ter comigo

Apagar do meu peito
A dor do querer.

A noite instala-se em mim

Lá fora, apenas o silêncio do teu olhar

Vem.

Ocupa com o teu corpo,

Este abrigo que te chama.

Volta a ser a minha morada

Faz do meu corpo o teu ninho

Estou perdido

Pelas saudades crescentes

Apenas uma lágrima


Hoje quando acordei, estava diferente.

Olhei para dentro de mim
E estava vazio
Um enorme vazio
E só os restos de sonhos,
Recheados de pensamentos
E gotas de sentimentos…
Não consigo chorar
Apesar da dor.
Estou anestesiado.
Não choro
A mesma dor insiste em aumentar
É tão sentida, tão vivida,
Que não consigo senti-la.
Todas as dores
Já foram choradas,
Sentidas, desperdiçadas
E pelo meu rosto desce
apenas uma lágrima

Insônia


De noite, na cama,

eu fico pensando

Se você me ama.
A dúvida bate.
Estou navegando nos macios colchões da dúvida.
Vivo os fantasmas de uma paixão

Que sinto se desvanecer

Por entre os dedos das minhas mãos.

Desenho castelos ao vento

Sonho com um horizonte que parece não ser meu

Enforco-me em meus sonhos

Louco de prazeres insanos

Por um amor que eu tenho

E tu não...!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

FÊNIX


Não me dirijas tuas palavras ilusórias
Elas levaram-me ao pó e às lamúrias incômodas.
Teu modo subjuntivo e hesitante de viver
Cansou-me e neste instante só me resta a lâmina macia.
Não há sangue fluindo por entre meus dedos
Somente a paz, que dói, todavia é paz que sinto.
Onde estavas quando o medo possuía meus sonhos?
É tarde, deixa-me dormir sob o firmamento gris...
A pupila dilata, e teu rosto desfigura-se diante
Da minha glória eterna – meus olhos se negam a ver-te.
Meus lábios, agora gélidos, já não dependem
De teu falso calor emanado de tua putrefata ferida.
Paguei meus pecados em teus braços serenos.
Irei para o céu dos justos após morrer de desamor?
Prefiro o limbo das crianças sem batismo a continuar
Respirando seu ar ludibriante que me sufoca!
Sinto náuseas, devo vomitar-te em instantes!
Ou será meu coração quebrado a me pregar peças?
Coração que já nem bombeia o denso liquido escarlate
– é a amiga morte a se apoderar de minh´alma exígua.
Ainda sinto o toque de tua pele alva que me protegia
Assim como tenho o gosto amargo de tuas mentiras.
Queria apenas amar-te, hoje somente apagar-te
De meus jardins íntimos – bendito calvário.
O corte perpassa todos os males desses últimos dias
Que estive ao teu lado. Caprichos, orgasmos e lama.
Meus movimentos tornam-se esmorecidos e desordenados,
Mas o alívio é completo e insopitável, digo adeus, sem voltas.
O melhor da vida é permitir-se morrer e ressuscitar.

CONFISSÃO







Louvado sejas, oh pecado maldito

Do qual necessito para viver.


Se me consome vorazmente,

Entrego-me aos caprichos seus...


Confesso, que ainda vive

Nos meus sonhos, na minha pele.



Se bastasse a amizade!

Se bastasse o desejo!

Sinto falta de tua boca virginal,

De teus dedos voluptuosos a me tocar.


A ti um coração viuvez.

A mim, uma esperança esmorecida!

Ao pôr-do-sol, de repente...


O que eram cinzas fez-se vida:

A transubstanciação da morte

Em chaga, em chuva - o amor.


Se bastasse o gozo efêmero

Seriamos borboletas a voar

Pelos segredos d´alma libertina,

Pela divina mediocridade humana.


Desnudou-me e agora me evita.

Se bastasse tua consideração

De que adiantariam estes versos?


Rogo: sacia-me simplesmente.

Tua retulância padece o corpo apaixonado.

Piedade, Senhor, pois choro mudo

Almejas meus lábios, minha carne...

E eu, teu coração ferido!


Amo-te tal qual a noite ama a lua.

Se tu me bastasses para viver...

Piedade, Senhor, Piedade.


Piedade, Senhor, se amo!
E por tal, condenado sou.
Somente quero, nada mais...

Professo que meu desejo de amar
É maior a que qualquer preceito imposto,
Pois o amor não é vendável e nem escolha tem.

Insosso deleite que nutre os ocultos prazeres.
Vituperam-me os olhos alheios pungentes.
O egrégio sentimento de chofre torna-se vulgar.

Invejam-me as criaturas banais por ser amado
Nesse pântano que chafurda o querer bem.
Se amar é um ópio, vicio-me a fim
De envolver meus lábios, afobados e sôfregos,
No corpo forasteiro que tenho enfim,
Tal qual a brisa nos campos de trigo.

Piedade, Senhor, pois humano sou!
Escravo dos instintos da alma e da carne.
Um beligerante pelo bel-prazer de amar
Sem censuras, loucamente nu, apenas...

Escorro o escarro do mundo fátuo.
Fiz do amante próximo meu bálsamo.
Do medo atroz um aliado beatífico.
Da igualdade incerta um sonho acordado.
E do momento finito um prazer indelével.
Da lamúria cotidiana uma ode à felicidade!

Vozes ao vento ressoam o fim da tempestade:
Honrai-nos, portanto, o amor chegou!

O que ficou quando tudo calou

  A água da piscina estava morna, parada como um espelho que não mente. A taça estava em minhas mãos e eu olhava pra ela. Não era luxo nem...