Ainda verei o
dia em que as pessoas se respeitarão. O dia em que contemplarão a amizade entre
as pessoas sem olhar de maldade e sem o veneno de suas línguas bifurcadas.
Almejo o dia em que a tolerância e o respeito sejam constantes na vida de
pessoas que vivem de extremos. Espero o dia em q as pessoas percam o medo de
abraçar um amigo sem a preocupação com os olhares maldosos. Espero que chegue o
dia em que as pessoas serão realmente humanas.
terça-feira, 23 de junho de 2015
Digo aquilo
que penso, para além das pretensões alheias, do verniz social, de preceitos
aprendidos, pois o que penso é um pouco de mim mesmo, nacos da minha alma, do
meu sentir, da minha vontade, pois dizer o que não penso, o que não sinto,
seria lançar aos outros, ocas bolas de sabão. Digo aquilo que penso, sem ligar
a horas, a ocasiões, porque sempre é momento de se dizer francamente o que se
pensa. Não me camuflo atrás das moitas da indiferença, nem atrás da fraqueza do
sorriso forçado, da acedência medrosa, do consentimento fútil. Profiro o que
penso, porque isso é o que sou, é a minha bandeira, a minha lei. Estamos aqui
para deixarmos a nossa marca, porque quem caminha sobre os passos alheios, não
deixa nada de si a ninguém.
segunda-feira, 2 de março de 2015
Anjo Barroco
Em seus caminhos nômades
Nos passos de sua sina cigana
Andarilhos destinos andar andou
Com partida da Vila do Mocha
Alma lavada no riacho da pouca vergonha
Rompido o cordão umbilical
Apartadas as metades
Viramundo montou a calda de uma estrela
E se enveredou em sonho de circo
Foi forjado na periferia da cidade grande,
Na noite, nos becos, vielas, botecos, boates,
Cinemas pornôs e cabarés.
Seu sangue fortaleceu e engrossou na casa de recuperação.
Sua força e coragem se fizeram nas crinas da madrugada.
A brisa penetrando os poros.
A vista embaçada
pela garoa,
Fina flor do norte se envenenando com monóxido
De carbono na
locomotiva de aço.
A cidade em estado
de febre e tecendo o fio
De sua história nos escombros da noite
O coração em ebulição fez desse menino um homem.
Anjo barroco, em tudo moderno e arcaico
De tudo medo e coragem.
No peito um ser-tão forte ,
A crença em Deus
O corpo fechado
O jeito de quebrar qualquer quebranto
E desviar qualquer mal olhado
Sem deixar a espinhela cair.
Em suas estradas de ferro,
Aprendeu a sobreviver nas cidades de sua grafia,
A geografia da seca gravada em sua pele,
O destino quixotesco, ele roubou princesas de castelos,
Encontrou tesouros, foi trapezista, santo e feiticeiro,
Dançou na noite com anjos e demônios, foi marinheiro,
Deixou um amor em cada porto, brigou com redemoinhos,
Dançou na corda bamba, equilibrou-se em um de sonho alado,
E nunca se esqueceu de ser feliz,
Porque a vida é teatro mágico
E ele é várias faces de uma mesma história.
*Poema feito às 02h30 da manhã, em parceria com Edilberto Vilanova, via Facebook.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Sem máscaras
Muitas
pessoas em algum momento vivem o dilema de levar uma vida com autenticidade,
expor de modo claro seus sentimentos e pensamentos ou incorporar uma personagem, agir de modo a
simplesmente receber os aclamações e aprovação para meramente serem aceitos pelos que os rodeiam
As mentiras mais devastadoras para a nossa
autoestima não são tanto as que contamos, mas as que vivemos.
Vivemos uma mentira quando desvirtuamos a realidade
da nossa experiência ou a verdade do nosso ser. Assim, vivemos uma mentira
quando aparentamos um amor que não experimentamos; quando fingimos uma
indiferença que não sentimos; quando nos mostramos mais do que somos; quando revelamos
menos do que somos; quando dizemos que estamos zangados, mas na verdade estamos
com medo; quando fingimos estar desamparados, mas na verdade, estamos
manipulando; quando negamos e escondemos nossa excitação com a vida; quando fingimos
uma cegueira que nega nossa consciência; quando fingimos um conhecimento que
não possuímos; quando rimos e queremos chorar; quando ficamos muito tempo com
pessoas de quem não gostamos somente para passarmos a imagem de agradável; quando
dizemos somente aquilo que o outro quer ouvir; quando nos expomos com a encarnação
de valores que não aprovamos e não aceitamos; quando somos afetuosos com todo
mundo, menos com aqueles que a quem dizemos amar; quando professamos crenças
sobre as quais não temos convicção, só para sermos aceitos; quando aparentamos
modéstia; quando dissimulamos arrogância; quando deixamos nosso silêncio
concordar com convicções das quais não compartilhamos. Quando dizemos apreciar certo
tipo de pessoa, quando na verdade a abominamos e criticamos.
Tudo isto exige coerência, o que significa que o nosso
eu interior tem que estar de acordo com o nosso eu exterior.
Quando valorizamos mais a ilusão na cabeça dos
outros do que o nosso próprio conhecimento da ''verdade'' tornamo-nos um
impostor.
É
preciso coragem para emitirmos nossas opiniões e pensamentos, do contrário, permaneceremos
para sempre perdidos nas trevas de uma vida covarde.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Sua memória
E naquela tarde, o meu corpo se colou ao teu. Teu corpo me
aqueceu…
Depois de uma longa espera saciei a minha sede na tua fonte, e
os teus olhos era o único lugar em que queria olhar…
Naquela tarde os teus braços me protegiam e a tua voz preencheu
as horas do meu dia. Tua presença foi a minha melhor companhia.
Hoje trago as palavras ditas ao ouvido, a memória do teu olhar,
o seu cheiro grudado em minha pele, o seu sabor marcado em meus lábios e a
esperança de novamente te encontrar.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
Escondido
Vivo um amor clandestino
Aquele que é real, mas não posso falar
O que arde em meu peito
Mas tenho quem manter em silêncio
O que toma minha vida, mas fica apenas em uma parte
Vivo um amor silencioso
Que guardo no fundo do meu peito, mas não posso gritar
O que existe apenas entre quatro paredes
O amor que não ousa dizer o nome
Que se preocupa com quem está ao lado
Que não se afasta e nem fica perto
Mas que existe e não vive sem mim.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Quem é você?
Quando você volta pra casa
E ninguém mais que você
Precisa impressionar está por perto
Quem é você?
Quem é você quando ninguém vê?
Quem é você?
Só você mesmo pode responder
Por trás da aparência, onde só Deus vê
Bem no seu intimo sombrio
Sufocado e trancado a sete chaves
Maquiando o teu vazio
Deus e o travesseiro sabem
Quem é você quando ninguém vê?
Quem é você, Quem é você?
Quem é você?
O que Deus vai ver quando Te sondar
Depois das luzes, do discurso e da máscara
Quem é você quando ninguém vê
Quem é você?
(Trazendo a Arca)
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