quinta-feira, 1 de maio de 2008

Insônia


De noite, na cama,

eu fico pensando

Se você me ama.
A dúvida bate.
Estou navegando nos macios colchões da dúvida.
Vivo os fantasmas de uma paixão

Que sinto se desvanecer

Por entre os dedos das minhas mãos.

Desenho castelos ao vento

Sonho com um horizonte que parece não ser meu

Enforco-me em meus sonhos

Louco de prazeres insanos

Por um amor que eu tenho

E tu não...!

sábado, 2 de fevereiro de 2008

FÊNIX


Não me dirijas tuas palavras ilusórias
Elas levaram-me ao pó e às lamúrias incômodas.
Teu modo subjuntivo e hesitante de viver
Cansou-me e neste instante só me resta a lâmina macia.
Não há sangue fluindo por entre meus dedos
Somente a paz, que dói, todavia é paz que sinto.
Onde estavas quando o medo possuía meus sonhos?
É tarde, deixa-me dormir sob o firmamento gris...
A pupila dilata, e teu rosto desfigura-se diante
Da minha glória eterna – meus olhos se negam a ver-te.
Meus lábios, agora gélidos, já não dependem
De teu falso calor emanado de tua putrefata ferida.
Paguei meus pecados em teus braços serenos.
Irei para o céu dos justos após morrer de desamor?
Prefiro o limbo das crianças sem batismo a continuar
Respirando seu ar ludibriante que me sufoca!
Sinto náuseas, devo vomitar-te em instantes!
Ou será meu coração quebrado a me pregar peças?
Coração que já nem bombeia o denso liquido escarlate
– é a amiga morte a se apoderar de minh´alma exígua.
Ainda sinto o toque de tua pele alva que me protegia
Assim como tenho o gosto amargo de tuas mentiras.
Queria apenas amar-te, hoje somente apagar-te
De meus jardins íntimos – bendito calvário.
O corte perpassa todos os males desses últimos dias
Que estive ao teu lado. Caprichos, orgasmos e lama.
Meus movimentos tornam-se esmorecidos e desordenados,
Mas o alívio é completo e insopitável, digo adeus, sem voltas.
O melhor da vida é permitir-se morrer e ressuscitar.

CONFISSÃO







Louvado sejas, oh pecado maldito

Do qual necessito para viver.


Se me consome vorazmente,

Entrego-me aos caprichos seus...


Confesso, que ainda vive

Nos meus sonhos, na minha pele.



Se bastasse a amizade!

Se bastasse o desejo!

Sinto falta de tua boca virginal,

De teus dedos voluptuosos a me tocar.


A ti um coração viuvez.

A mim, uma esperança esmorecida!

Ao pôr-do-sol, de repente...


O que eram cinzas fez-se vida:

A transubstanciação da morte

Em chaga, em chuva - o amor.


Se bastasse o gozo efêmero

Seriamos borboletas a voar

Pelos segredos d´alma libertina,

Pela divina mediocridade humana.


Desnudou-me e agora me evita.

Se bastasse tua consideração

De que adiantariam estes versos?


Rogo: sacia-me simplesmente.

Tua retulância padece o corpo apaixonado.

Piedade, Senhor, pois choro mudo

Almejas meus lábios, minha carne...

E eu, teu coração ferido!


Amo-te tal qual a noite ama a lua.

Se tu me bastasses para viver...

Piedade, Senhor, Piedade.


Piedade, Senhor, se amo!
E por tal, condenado sou.
Somente quero, nada mais...

Professo que meu desejo de amar
É maior a que qualquer preceito imposto,
Pois o amor não é vendável e nem escolha tem.

Insosso deleite que nutre os ocultos prazeres.
Vituperam-me os olhos alheios pungentes.
O egrégio sentimento de chofre torna-se vulgar.

Invejam-me as criaturas banais por ser amado
Nesse pântano que chafurda o querer bem.
Se amar é um ópio, vicio-me a fim
De envolver meus lábios, afobados e sôfregos,
No corpo forasteiro que tenho enfim,
Tal qual a brisa nos campos de trigo.

Piedade, Senhor, pois humano sou!
Escravo dos instintos da alma e da carne.
Um beligerante pelo bel-prazer de amar
Sem censuras, loucamente nu, apenas...

Escorro o escarro do mundo fátuo.
Fiz do amante próximo meu bálsamo.
Do medo atroz um aliado beatífico.
Da igualdade incerta um sonho acordado.
E do momento finito um prazer indelével.
Da lamúria cotidiana uma ode à felicidade!

Vozes ao vento ressoam o fim da tempestade:
Honrai-nos, portanto, o amor chegou!

sábado, 26 de janeiro de 2008


Quem eu quero ser,
Eu sou.
Minha briga é para
Não ser aquilo
Que querem me transformar.

LOUVAÇÃO


Tanta louvação e os mesmos procedimentos
Tanta louvação e a mesma pobreza
Tanta louvação e as mesmas barrigas vazias
Tanta louvação e as mesmas intrigas
Tanta louvação e as mesmas línguas ferinas
Tanta louvação e os mesmos preconceitos
Afinal, para que tanta louvação?
Para que esse louvor se o povo continua de barriga vazia?
Para que esse louvor se continuam a falar mal dos outros?
Para que esse louvor se continuam a olhar os outros com preconceitos?
Para que esse louvor se não amam o próximo?
Para que tanta louvação se cada vez mais estamos indo para o caos?
Prefiro manter-me assim a ter que me juntar ao coral dos hipócritas.

sábado, 19 de janeiro de 2008


A RESPOSTA


Defendo minha raça, minha cor, minha cultura, meu povo, meu ideais.
Defendo, por que cresci sendo chamado de menino de cor.
E hoje já não tenho mais medo.
As ofensas ficaram pra trás, no mesmo pacote da recusa e do desrespeito por minha cor.
Defendo a minha cultura e o meu povo, por que como menino de cor, me tornei um rapaz de cor, e hoje sou um homem de cor, e sigo de cabeça erguida cantando o ilê - aiê.
Salve o negro trabalhador
Que em seu canto sedutor ouve o meu cantar.
Conquistei o meu lugar, sai do anonimato e sou reconhecido pelo meu nome.
E enfim serei lembrado, mas sempre terei orgulho de ser um homem de cor.
De ser NEGRO.

Cada um com seus problemas



Nem tente segurar na minha mão.
Sigamos cada um seu caminho.
A cada opção feita
Muitas portas se fecham,
Muitas mãos encolhem.
Muitos ombros se afastam,
Muitas palavras ficam presas na garganta
Emudecendo a aquele que sempre proferiu palavras de apoio.
Sigamos, pois, cada um com seus problemas
.

Quero abraçar o outro
Mas não abraço
Por que vão me condenar.
Quero beijar o outro
Mas não beijo
Por que vão me crucificar.
Por que temos de fazer o nosso manual de instruções
E dizer sou assim?

O que ficou quando tudo calou

  A água da piscina estava morna, parada como um espelho que não mente. A taça estava em minhas mãos e eu olhava pra ela. Não era luxo nem...